A busca de uma jovem surda por atendimento acessível durante a missa de sétimo dia de seu irmão deu origem, em 2014, à Pastoral dos Surdos de Teresina. Atualmente composta por cerca de 40 participantes, a iniciativa promove a inclusão da comunidade surda nos atos litúrgicos e na vida comunitária da Igreja Católica no Piauí.
De acordo com o padre Cícero Henrique, a idealizadora precisou da ajuda de uma intérprete de outra religião na época, fato que a levou a mobilizar a comunidade católica local para criar o grupo. Entre os eventos organizados está a Missa do Silêncio, uma celebração mensal totalmente realizada na Língua Brasileira de Sinais (Libras), sediada na Igreja Nossa Senhora do Rosário, no bairro Cabral, região central da capital. A programação é informada nos perfis da pastoral nas redes sociais.
A catequista Paula Belizário destacou a importância dessa celebração específica: “É uma região com vários surdos, todos com mais de 30 anos. É um momento em que a celebração é toda voltada para eles”, relatou.
Nos demais domingos, a pastoral oferece suporte com intérpretes de Libras em duas celebrações: às 8h, na Comunidade Católica Ore, localizada no bairro Mocambinho, e às 18h, na Igreja Nossa Senhora do Rosário.
O padre Cícero Henrique explica que o propósito da pastoral é garantir o acesso dos surdos aos sacramentos, à evangelização e a movimentos como o Encontro de Jovens com Cristo (EJC), permitindo que conquistem autonomia e protagonismo no ambiente religioso.
“A Igreja é de todos, e cada pessoa deve poder encontrar Cristo e servi-lo plenamente. Quando refletimos sobre a encarnação de Jesus Cristo, compreendemos um projeto divino que contempla a todos, sem exceção. E a Igreja Católica, enquanto representante de Cristo na Terra, tem a responsabilidade de acolher e levar o Evangelho a todos os povos”, ressaltou o sacerdote.
Além dos momentos de culto, a pastoral desenvolve atividades como catequese, visitas a enfermos e pessoas distantes da comunidade, passeios, gincanas e capacitações em Libras.
“Como muitos surdos já me falaram, é sentir que Deus fala a minha língua, que Deus sabe Libras. Para o surdo, é uma comunicação real do sagrado com o humano. O mais bonito é sentir-se acolhido, amado, respeitado e verdadeiramente parte da comunidade. É uma experiência de inclusão, pertencimento e encontro com Deus”, pontuou o padre.
