Um incêndio de grandes proporções atingiu a sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Teresina, destruindo plantas nativas sob estudo há mais de 30 anos. As chamas consumiram mais de oito hectares e devastaram um banco ativo de germoplasma — reserva de material genético usada para preservação e desenvolvimento de novas variedades — que abrigava espécies como bacuri, mangaba e cajá.
Em entrevista à TV Clube na manhã desta quarta-feira (7), o chefe-geral da Embrapa, Anísio Ferreira Lima Neto, lamentou as perdas. “Isso trouxe danos, não vou dizer irreparáveis, mas profundos danos à pesquisa agropecuária e a esse banco de germoplasma”, declarou.
A direção da instituição suspeita que o fogo tenha sido provocado de forma criminosa, uma vez que foram identificados quatro focos distintos em um intervalo de apenas 10 a 15 minutos na mesma área. “Afirmar seria leviano de nossa parte, mas nós temos indícios de que os focos ocorreram ao mesmo tempo ou com intervalo de 10, 15 minutos um do outro e foram quatro focos no mesmo ambiente. Então isso é sugestivo de que tenha sido um incêndio intencional”, explicou Anísio, acrescentando que a suspeita será formalmente reportada às autoridades para investigação.
Durante a ocorrência, as equipes conseguiram retirar a tempo os animais de criatório científico da instituição, como cabras e uma coleção de aves caipiras nativas, evitando perdas nessas populações. No entanto, animais silvestres que habitavam a área, incluindo pacas e camaleões, acabaram morrendo queimados.
A força-tarefa de combate ao fogo reuniu homens do Corpo de Bombeiros, do Exército e brigadistas da própria Embrapa. Na manhã desta quarta (7), os trabalhos se concentravam no rescaldo e monitoramento do terreno. Na terça-feira, a operação contou com três viaturas de combate a incêndio e caminhões-pipa do Exército, enfrentando condições meteorológicas adversas: um mapeamento da Prefeitura de Teresina registrou temperatura de quase 44°C e umidade relativa do ar em apenas 15% na região.
