Na disputa pelo Palácio de Karnak em 2026, os candidatos ao governo do Piauí centralizaram suas propostas e críticas em áreas essenciais como abastecimento de água, segurança pública, saúde e gestão econômica. O embate entre o atual governador e candidato à reeleição, Rafael Fonteles (PT), e os nomes da oposição ganhou tração durante o debate promovido pela TV Clube na última terça-feira (29), refletindo as discussões que percorreram a capital e o interior do estado.
Um dos principais pontos de atrito foi a concessão dos serviços da Agespisa (Águas e Esgotos do Piauí) e a persistente falta de água no semiárido. Fonteles justificou a privatização do saneamento como uma imposição do Marco Legal do Saneamento e uma saída para a incapacidade financeira da estatal em realizar melhorias. O gestor estadual prometeu universalizar o fornecimento de água e esgoto até 2030, destacando um plano de R$ 2 bilhões em investimentos federais e estaduais para adutoras, barragens e sistemas de dessalinização.
A saúde também dividiu opiniões, especialmente o programa Piauí Saúde Digital, que custa R$ 15 milhões mensais. Candidatos oposicionistas questionaram a eficácia da telemedicina e defenderam o retorno da gestão direta dos hospitais, hoje sob Organizações Sociais (OS). Em resposta, Fonteles argumentou que a plataforma digital realizou mais de 2,2 milhões de procedimentos e que a tecnologia caminha junto com investimentos físicos, citando a nova Maternidade Evangelina Rosa, o Hospital Regional de Picos e a redução do tempo de espera de cirurgias eletivas de 464 para cerca de 26 a 28 dias.
A oposição, representada por nomes como Joel Rodrigues (PP) e Dra. Lúcia Santos (PSDB), também direcionou críticas aos gastos com publicidade institucional e ao endividamento do estado, alegando que a propaganda oficial mascara problemas reais enfrentados pela população. Fonteles rebateu afirmando que sua gestão se baseia em planejamento científico e diálogo direto com os 224 municípios por meio de programas como o Orçamento Participativo Digital (OPA) e o Diálogos pelo Piauí.
Em sua plataforma de campanha, Rafael Fonteles foca na continuidade de seus projetos. Suas propostas incluem zerar o deficit do sistema prisional, expandir a Patrulha Maria da Penha, implementar 12 centrais de diagnóstico no interior, realizar parcerias público-privadas para o Porto Piauí (em Luís Correia) e garantir voos regionais para Parnaíba e São Raimundo Nonato.
Por outro lado, Joel Rodrigues propõe auditar a concessão da Agespisa, enxugar a máquina pública reduzindo o número de secretarias, criar 12 policlínicas regionais, expandir o atendimento para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e implantar o programa “Trânsito Zero Morte”. Já a candidata Dra. Lúcia Santos prioriza a expansão de adutoras, o videomonitoramento contra a criminalidade e contesta o modelo atual de saúde digital.
