A paixão pelo ensino faz a docente de jornalismo Thamyres Sousa enfrentar uma verdadeira maratona semanal. Residente em Timon (MA) e natural de Teresina (PI), a profissional percorre mais de 600 quilômetros toda semana para dar aulas no campus de Picos da Universidade Estadual do Piauí (Uespi). O trajeto, que pode durar até seis horas, faz parte de sua rotina há cerca de oito anos.
A escolha pela carreira docente teve forte influência familiar. Em conversa durante o Dia do Professor, comemorado nesta quinta-feira (15), Thamyres revelou que seguiu os passos da mãe, que hoje está aposentada. “Sinto muito orgulho de estar com ela nos espaços e vê-la sendo identificada por ex-alunos e por mães de ex-alunos”, declarou a mestre em Comunicação, que atualmente concilia as aulas com o doutorado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Sua logística semanal envolve sair de Timon todas as quartas-feiras e retornar para casa às sextas. Conectar as obrigações profissionais e acadêmicas com a vida pessoal gera desafios e momentos de incerteza. “Teve algumas situações em que eu precisava estar na minha cidade e estava em Picos, trabalhando. Isso me gerou medo, porque aí eu percebi o quanto é difícil conciliar essa rotina, que é dupla e muitas vezes tripla. Eu senti dificuldade e eu senti medo. Os professores também têm medo”, desabafou. Contudo, ela destaca o papel da rede de apoio para superar as adversidades: “Mas eu sinto que até nesses momentos eu fui super acolhida pela minha família e alunos também. E isso eu acho que me revigora”.
O empenho contínuo traz sua maior recompensa ao ver a evolução de quem passa por suas salas de aula. Para a professora, o impacto na trajetória dos estudantes justifica todo o esforço diário. “O que mais me motiva a estar em sala de aula são os relatos que eu escuto dos meus alunos. Fico superanimada quando vejo eles sendo premiados, no mercado de trabalho, se destacando, desenvolvendo um trabalho com responsabilidade social. Quando eu vejo essas pessoas tendo suas vidas, as vidas de sua família sendo reconstruídas, tendo oportunidade de vivenciar espaços que, outrora, as pessoas nunca imaginaram ocupar, eu sinto que vale a pena ser professora”, finalizou.
