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Capital piauiense destina quase R$ 4 milhões para assistência a pessoas em situação de rua em 2026

Com aporte adicional de R$ 2,3 milhões previsto até o fim do ano, município planeja abrir novo abrigo baseado em dados de censo recente

A Prefeitura de Teresina, por meio da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi), aplicou R$ 3,969 milhões na rede de acolhimento e suporte para pessoas em situação de rua em 2026. O planejamento municipal aponta que, até o mês de dezembro, outros R$ 2,366 milhões serão injetados para aprimorar e expandir as iniciativas voltadas a esse grupo vulnerável.

Os novos recursos viabilizarão reformas estruturais e serviços de manutenção na Casa do Caminho, abrigo público voltado a adultos. Além disso, está prevista a inauguração da Casa do Caminho II, unidade que ampliará as vagas de acolhimento institucional e reforçará o suporte especializado na capital.

O direcionamento das verbas foi balizado pelo Censo da População em Situação de Rua (PSR) de 2025, realizado pela Semcaspi em cooperação com a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti). A coleta de dados, ocorrida entre 6 de outubro e 21 de novembro de 2025, mapeou o perfil e as demandas dos usuários para otimizar os investimentos públicos. No total, foram consolidados 747 cadastros obtidos no Centro Pop e em quatro Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) da cidade.

De acordo com o diagnóstico do Censo, a maioria das pessoas registradas é composta por homens (86,05%) e está na faixa etária de 30 a 59 anos (68,6%). No quesito origem, 60,1% nasceram em Teresina, enquanto 39,9% migraram de outras cidades ou estados. O estudo revelou ainda que 52,5% dos entrevistados possuem parentes residindo na capital piauiense.

O tempo de permanência nas ruas é um dos dados mais alarmantes: 47,8% dos participantes vivem nessa condição há mais de cinco anos, e 23,9% relatam estar desabrigados há mais de uma década. A pesquisa também expôs vulnerabilidades de saúde, com 27,8% declarando sofrer de patologias crônicas e 27,2% necessitando de medicamentos contínuos. O consumo de substâncias psicoativas foi admitido por 74,1% dos entrevistados, evidenciando a necessidade de integração entre assistência social e saúde pública.

Atualmente, a rede assistencial de Teresina conta com o Centro Pop, que funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, oferecendo suporte psicológico, social e jurídico, regularização de documentos, inserção no CadÚnico, além de banho, guarda-volumes e corte de cabelo. A alimentação é garantida por meio de restaurantes populares e distribuição de jantares em pontos estratégicos.

Outra ferramenta ativa é o Carro do Banho, que leva kits de higiene, roupas e chuveiros diretamente às comunidades, atuando em parceria com o Consultório na Rua, mantido pela Fundação Municipal de Saúde (FMS). Para acolhimento temporário de alta complexidade, a Casa do Caminho dispõe de 45 vagas para adultos de 18 a 59 anos, utilizando um Plano Individual de Atendimento (PIA) multidisciplinar. Complementando a estrutura física, o Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS) realiza buscas ativas diárias nos territórios para identificar e encaminhar cidadãos aos programas sociais.

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